Feira de São João de Évora

A grande festa de Évora celebra-se desde 1569, quando era a feira de gado que fixava preços em todo o Alentejo. Hoje são cerca de duas semanas de tasquinhas e concertos gratuitos no Rossio de São Brás, extramuros. Entrada livre a todo o recinto, incluindo espetáculos.
Meio milénio de feira
A Feira de São João não é uma festa municipal moderna: há registo documental da sua primeira edição a 24 de junho de 1569, instituída por alvará de D. Sebastião, e um alvará posterior, de 1574, fixou o Rossio de São Brás como local permanente. O terreno já era de feira desde o século XIII (Feira de Santiago, 1275; Feira Franqueada, 1286). Durante séculos foi o grande mercado de gado do sul de Portugal: ali fixavam-se os preços pecuários de todo o Alentejo e negociavam-se os jornais do campo, da cortiça e do desbaste. Nas últimas décadas da monarquia (até 1910) constava entre as visitas régias, segundo relatam as crónicas recolhidas pela imprensa portuguesa. O que resta hoje é uma festa popular de acesso livre, com tasquinhas, exposições e concertos gratuitos: uma das maiores do Alentejo e do sul do país, nas palavras da própria Câmara Municipal. Conselho: não vás à procura de gado nem de mercado tradicional. Isso já acabou.
Datas, horários e como chegar
A regra é simples: a feira move-se entre o final de junho e o início de julho, ancorada a Santo António... digo, a São João (24) e São Pedro (29). Em 2026 foram 13 dias, de 23 de junho a 5 de julho, mais três do que o habitual (as edições recentes rondam os 10). O dia de abertura funcionou das 17h à 3h; nos restantes, das 12h às 2h de domingo a quinta, até às 3h à sexta, sábado e vésperas de feriado, e até à 1h no último dia. Para 2027 esperam-se datas equivalentes, em torno de 24 de junho: confirma em cm-evora.pt e feirasjoao.cm-evora.pt. O palco são três espaços contíguos — Rossio de São Brás, Jardim Público e Praça 1.º de Maio —, extramuros a sul da muralha, junto à Ermida de São Brás (séc. XV) e a dois passos das estações de comboios e autocarros. Da Praça do Giraldo ou do Templo Romano, 10-15 minutos a pé. Há carreiras gratuitas diárias, das 20h à 00h30, a partir dos parques periféricos (Avenida Engenheiro Arantes e Oliveira, Porta da Lagoa, Porta de Aviz, Avenida Lino de Carvalho), com percursos, casas de banho e estacionamento acessíveis; confirma os trajetos todos os anos.
Tasquinhas, não bancas
A comida desta feira é feita pelas associações e coletividades locais nas suas tasquinhas, não por cadeias nem bancas comerciais de feirante. É cozinha alentejana de tasca e vinho da região: aí está a diferença entre jantar bem e jantar como em qualquer recinto ferial da Europa. O ritmo manda: às 12h o recinto abre, mas ao meio-dia em Évora passam-se facilmente os 35 °C e a feira fica vazia e sem graça. A vida começa quando o sol se põe, entre as 21h e a meia-noite, e os concertos gratuitos fecham a noite. Conselho crítico: escolhe a tasquinha antes das 21h30 ou comes de pé, em fila. E não confundas isto com o São João do norte: aqui não há martelinhos de plástico nem sardinhada de rua de bairro como no Porto ou em Braga. A festa está concentrada num perímetro, não espalhada pela cidade toda. Os preços e a ementa mudam todos os anos e de tasquinha para tasquinha; não confies em listas antigas.
Planeá-la sem erros
Três avisos. Primeiro, 29 de junho, São Pedro, é feriado municipal em Évora: foi fixado em 1960 (em vigor desde 1961) precisamente porque nessa altura era o último dia da feira; hoje o calendário alargou-se até início de julho, pelo que o feriado já não coincide com o encerramento. Antes tinha sido a 1 de maio desde 1911 e a 21 de agosto desde dezembro de 1942. Nesse dia a cidade baixa a persiana à tarde: faz as visitas a museus e monumentos de manhã. Segundo, alojamento: Évora é pequena e estas duas semanas enchem-na; reserva com meses de antecedência e, se dormires intramuros, conta com ruído noturno até às 2h-3h. Terceiro, as noites de maior pico são a de São João (24 de junho), os fins de semana, as vésperas de feriado com horário alargado e o próprio dia 29 de junho: chega cedo e usa os autocarros gratuitos a partir dos parques. Nos últimos dias corre-se o Grande Prémio de S. João de atletismo (5 e 10 km; em 2026 foi a 4 de julho, às 21h).
Perguntas frequentes
É preciso pagar entrada na Feira de São João?
Quando se realiza exatamente?
A feira fica no centro histórico de Évora?
É como o São João do Porto?
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Outros lugares em Évora
Templo de Diana
temploO templo romano mais bem conservado da península ibérica, do século I, dedicado ao culto imperial (provavelmente a Augusto, não a Diana apesar do nome popular). Sobreviveu por ter ficado integrado, na Idade Média, num castelo. As suas 14 colunas coríntias, em pleno centro histórico, são o postal mais repetido de Évora.
Sé de Évora (Catedral)
catedralA maior catedral medieval de Portugal, construída entre 1280 e 1340, mistura de gótico e românico tardio com duas torres assimétricas. A entrada só para a catedral custa 2 €; somando claustro, terraço panorâmico e museu o preço sobe até 4,50 €. É possível subir ao campanário por uma escada em caracol de 135 degraus até um terraço com vista sobre todo o Alentejo.
Capela dos Ossos
capillaAnexa à Igreja Real de São Francisco, as suas paredes e colunas estão revestidas com os ossos e crânios de cerca de 5.000 pessoas, obra de monges franciscanos do século XVII. Sobre a porta, a inscrição avisa: 'Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos'. A entrada (6-7 €, menores de 12 anos grátis) inclui o núcleo museológico, a galeria de presépios e o terraço panorâmico.
Praça do Giraldo
plazaO salão de Évora desde o século XVI, com a Igreja de Santo Antão e a sua fonte de mármore de oito bicas a presidir a uma das extremidades. Rodeada de arcadas, cafés e lojas, foi palco de autos de fé da Inquisição e é hoje o ponto de encontro e arranque de qualquer passeio pelo centro histórico.
Aqueduto da Água de Prata
acueductoAqueduto de 18 quilómetros construído no século XVI pelo arquiteto Francisco de Arruda, o mesmo da Torre de Belém, para abastecer de água a cidade. O seu troço mais fotogénico atravessa a Rua do Cano, onde os arcos se integraram literalmente nas fachadas das casas.
Universidade de Évora (Colégio do Espírito Santo)
universidadFundada em 1559 pelos jesuítas, é a segunda universidade mais antiga de Portugal a seguir a Coimbra. O seu claustro renascentista de dois pisos e as salas de aula revestidas de azulejos do século XVIII, entre elas a célebre 'Sala dos Atos', visitam-se enquanto continua a funcionar como universidade ativa; a entrada (3 €) costuma ser gratuita fora do período de 25 de julho a 31 de agosto.
Festival Imaterial
fiestaO Imaterial é o festival de património imaterial e músicas do mundo de Évora, organizado pelo Município com a Fundação Inatel sob o lema «Pensar e Viver o Património». Realiza-se em meados ou finais de maio no Jardim Público. As conferências e oficinas são de entrada livre; os concertos noturnos são pagos, em sessão dupla.
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NOS Alive
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