Aqueduto da Água de Prata

Aqueduto de 18 quilómetros construído no século XVI pelo arquiteto Francisco de Arruda, o mesmo da Torre de Belém, para abastecer de água a cidade. O seu troço mais fotogénico atravessa a Rua do Cano, onde os arcos se integraram literalmente nas fachadas das casas.
O essencial
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Um aqueduto que se meteu dentro das casas
O Aqueduto da Água de Prata não é um monumento onde se entra: é uma obra de engenharia do século XVI que atravessa Évora e que, no seu troço final, se tornou literalmente parte do bairro. Na Rua do Cano (o nome vem do próprio conduto) os arcos aparecem tapados, ocupados, habitados: as pessoas construíram as suas casas aproveitando a estrutura, e hoje vê-se portas, janelas e vasos encaixados entre os arcos. Essa mistura de monumento nacional e rua onde alguém estende a roupa é o que torna o desvio compensador, mais do que a escala da obra em si. A história ajuda a compreendê-lo: o rei D. João III encomendou o aqueduto em 1534 a Francisco de Arruda —o mesmo arquiteto da Torre de Belém— e foi inaugurado a 28 de março de 1537, depois de apenas seis anos de obra. Traz água das nascentes da Graça do Divor, em terras do Convento de São Bento de Castris, cerca de 18 km até à cidade, e muito provavelmente sobrepõe-se ao traçado de um aqueduto romano anterior. Na Rua Nova de Santiago, onde corta a antiga muralha, Arruda ergueu uma Caixa de Água renascentista de planta quadrada com doze colunas toscanas: é o pormenor que mais gente ignora e o que melhor explica a ambição do projeto. É Monumento Nacional desde 1910.
Bilhetes, horários e porque não há filas aqui
Boa notícia para o orçamento: o acesso é livre e gratuito. Não há bilheteira, não há recinto fechado e não existe reserva online, porque não se trata de um edifício visitável mas sim de um elemento urbano ao ar livre que se percorre a pé pela rua. Pelo mesmo motivo, não há horário de abertura nem de encerramento: pode vê-lo a qualquer hora do dia. O que pode ter custo são as visitas guiadas organizadas por terceiros que o incluem num roteiro por Évora; se essa opção lhe interessar, consulte os preços diretamente com o operador. Filas, no sentido clássico, não vai encontrar. O que há são momentos com mais gente e pior luz: o troço da Rua do Cano é estreito e ao meio-dia enche-se de grupos que descem do centro. Antes de ir, uma verificação rápida em cm-evora.pt não é demais, porque pode haver obras ou encerramentos pontuais nalgum troço, nem sempre anunciados com antecedência.
Como chegar e truques para não sofrer o Alentejo
Évora é pequena e percorre-se toda a pé: da Praça do Giraldo chega-se ao troço urbano do aqueduto em poucos minutos a pé. Não há metro. Existem autocarros urbanos (rede da Rodoviária do Alentejo / TransDev), úteis sobretudo se chegar da estação de comboio ou de autocarros, mas dentro do centro histórico o carro e o autocarro atrapalham mais do que ajudam. Com 20-30 minutos cobre-se bem a Rua do Cano e os arredores dentro de um passeio pelo centro. Se quiser o plano completo, há um percurso pedestre de cerca de 8,5 km que segue o aqueduto fora de portas, começa na estrada para Arraiolos e tem três pontos de acesso; os mapas são fornecidos no posto de turismo, onde convém perguntar também pelo estado atual do caminho. Para isso reserve meio dia. O conselho que mais vai agradecer: vá de manhã cedo ou ao final da tarde. A luz rasante é a que faz os arcos ficarem bem nas fotografias, e sobretudo evita o calor —em agosto Évora ultrapassa os 35 °C com facilidade e esse troço tem pouca sombra. Leve água e calçado confortável: a calçada do centro histórico castiga.
Perguntas frequentes
Quanto custa visitar o Aqueduto da Água de Prata?
Quanto tempo é preciso dedicar-lhe?
Qual é a melhor hora para visitar?
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Outros lugares em Évora
Templo de Diana
temploO templo romano mais bem conservado da península ibérica, do século I, dedicado ao culto imperial (provavelmente a Augusto, não a Diana apesar do nome popular). Sobreviveu por ter ficado integrado, na Idade Média, num castelo. As suas 14 colunas coríntias, em pleno centro histórico, são o postal mais repetido de Évora.
Sé de Évora (Catedral)
catedralA maior catedral medieval de Portugal, construída entre 1280 e 1340, mistura de gótico e românico tardio com duas torres assimétricas. A entrada só para a catedral custa 2 €; somando claustro, terraço panorâmico e museu o preço sobe até 4,50 €. É possível subir ao campanário por uma escada em caracol de 135 degraus até um terraço com vista sobre todo o Alentejo.
Capela dos Ossos
capillaAnexa à Igreja Real de São Francisco, as suas paredes e colunas estão revestidas com os ossos e crânios de cerca de 5.000 pessoas, obra de monges franciscanos do século XVII. Sobre a porta, a inscrição avisa: 'Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos'. A entrada (6-7 €, menores de 12 anos grátis) inclui o núcleo museológico, a galeria de presépios e o terraço panorâmico.
Praça do Giraldo
plazaO salão de Évora desde o século XVI, com a Igreja de Santo Antão e a sua fonte de mármore de oito bicas a presidir a uma das extremidades. Rodeada de arcadas, cafés e lojas, foi palco de autos de fé da Inquisição e é hoje o ponto de encontro e arranque de qualquer passeio pelo centro histórico.
Universidade de Évora (Colégio do Espírito Santo)
universidadFundada em 1559 pelos jesuítas, é a segunda universidade mais antiga de Portugal a seguir a Coimbra. O seu claustro renascentista de dois pisos e as salas de aula revestidas de azulejos do século XVIII, entre elas a célebre 'Sala dos Atos', visitam-se enquanto continua a funcionar como universidade ativa; a entrada (3 €) costuma ser gratuita fora do período de 25 de julho a 31 de agosto.
Feira de São João de Évora
fiestaA grande festa de Évora celebra-se desde 1569, quando era a feira de gado que fixava preços em todo o Alentejo. Hoje são cerca de duas semanas de tasquinhas e concertos gratuitos no Rossio de São Brás, extramuros. Entrada livre a todo o recinto, incluindo espetáculos.
Festival Imaterial
fiestaO Imaterial é o festival de património imaterial e músicas do mundo de Évora, organizado pelo Município com a Fundação Inatel sob o lema «Pensar e Viver o Património». Realiza-se em meados ou finais de maio no Jardim Público. As conferências e oficinas são de entrada livre; os concertos noturnos são pagos, em sessão dupla.