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Verbenas de Agosto: San Cayetano, San Lorenzo y La Paloma

Chulapos y chulapas bailando chotis en Las Vistillas durante las Fiestas de la Virgen de la Paloma, Madrid, noche del 14 de agosto de 2013
Foto: Barcex / CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons)

Três verbenas de bairro gratuitas seguidas no centro-sul castizo: San Cayetano (5-8 agosto, Rastro e Embajadores), San Lorenzo (9-12, Lavapiés) e La Paloma (14-17, La Latina), com o dia grande no 15. Chotis, limoná, gallinejas e mantones de Manila, separadas por menos de um quilómetro a pé.

Três verbenas castizas em doze dias

São a trilogia das verbenas do verão madrileno: três festas populares de rua, consecutivas e gratuitas, que o Distrito Centro encadeia durante doze dias no Madrid castizo do centro-sul. Não é um festival pago nem nada de praia: é chotis na praça, lanternas, realejo, gigantes e cabeçudos, procissão do santo e barracas que só aparecem nestes dias. O melhor é que as três partilham bairro (Embajadores, Lavapiés, La Latina) e cabem num triângulo de menos de dois quilómetros, por isso podes encadeá-las a pé sem precisar do metro. A Plaza de Cascorro, no Rastro, é o ponto de encontro. Um aviso desde já: nas noites centrais (sobretudo o 14 e o 15), Cascorro, a Plaza de la Cebada e as Vistillas enchem mesmo; é zona conhecida de carteiristas, por isso guarda o telemóvel e a carteira à frente e não desças com carrinho de bebé nas horas de pico.

Datas fixas pelo calendário de santos e o dia 15

As datas são fixas porque seguem o santoral, não o fim de semana: caem todos os anos no mesmo dia. San Cayetano abre de 5 a 8 de agosto (dia grande no 7), no Rastro e Embajadores, em torno da igreja de San Millán e San Cayetano; é o padroeiro dos desempregados e a tradição diz que apanhar uma flor dos andores traz trabalho. San Lorenzo segue de 9 a 12 (dia central no 10), em Lavapiés, com petanca, xadrez, oficinas e concertos na Plaza Arturo Barea. La Paloma fecha de 14 a 17 em La Latina, e aqui está o único feriado de verdade: o 15 de agosto, a Assunção, feriado nacional e dia grande do ciclo. Como tudo remete para o cartaz oficial, consulta esmadrid.com ou madrid.es para o programa e horários exatos da próxima edição; as datas não mudam, os atos concretos sim.

Limoná, gallinejas e comida de barraca

A bebida é a limoná, e convém não confundi-la com a sangria: leva vinho branco, nunca tinto, com açúcar, canela, água, limão espremido e muitas vezes um fio de gasosa, macerada no dia anterior e servida bem gelada em jarras de vidro. Pede-a num bar de bairro fora de agosto (ou de San Isidro) e ganhas um olhar em branco; só aparece em Embajadores, Lavapiés, La Latina e as Vistillas, e só nestas datas. Para comer, o castizo é de barraca ambulante: gallinejas e entresijos, fritura de tripas e miudezas de borrego na própria gordura, de cheiro inconfundível e nada indicada para estômagos delicados. Acompanha com caracóis, barquillos e vermute. Um aviso honesto: das quase cem freidurías dos anos 60 restam muito poucas; a histórica de Embajadores 84 fechou em 2021, por isso conta com as barracas da verbena.

O segredo: onde está o ambiente de verdade

Aqui vai o segredo do local. Quase toda a gente procura o ambiente na Calle de la Paloma por ser o nome da festa, mas essa rua é pequena e tranquila: o seu peso é simbólico (foi lá que Isabel Tintero guardou em 1791 a imagem da Virgem; a igreja atual, na Calle Toledo 100, foi erguida em 1917). O burburinho de verdade está três quarteirões acima, na Calle Calatrava, com bares de mais de oitenta anos e vermute de barril, e na Plaza de la Cebada e na Plaza de la Paja. No 15 de agosto sai a procissão da Virgem pelo bairro, com varandas enfeitadas de flores e colchas, concurso de mantones de Manila e chotis. E um bónus para os melómanos: se houver uma reposição da zarzuela La verbena de la Paloma (Bretón, 1894) no Teatro de la Zarzuela, vale mesmo a pena aproveitar.

Perguntas frequentes

Quanto custa a entrada nas verbenas?
Nada: as três são gratuitas e de acesso livre na rua. San Cayetano, San Lorenzo e La Paloma são verbenas populares organizadas pelo Distrito Centro, não um festival pago. Só gastas o que consumires nas barracas (limoná, gallinejas, vermute) ou se comprares um mantón nas lojas históricas do bairro.
Como chego de metro a cada verbena?
Para La Paloma, La Latina (L5) e Puerta de Toledo (L5); para San Lorenzo, Lavapiés (L3); e para San Cayetano, desce em Embajadores (L3) e caminha até ao Cascorro. Atenção: em dias de festa, La Latina e Puerta de Toledo (L5) costumam fechar por causa das verbenas, por isso usa Tirso de Molina (L1) ou Lavapiés e consulta o aviso do Metro nesse dia.
O que é a limoná e onde a peço?
É a bebida castiza destas festas: vinho branco (nunca tinto) com açúcar, canela, água, limão espremido e às vezes gasosa, servida fria em jarras. Encontras-a nas barracas e tabernas de Embajadores, Lavapiés, La Latina e as Vistillas durante a verbena. Fora de agosto e de San Isidro quase não aparece na carta, por isso não a procures em qualquer bar.
Qual é o melhor dia para ir?
O dia grande de cada uma: o 7 (San Cayetano), o 10 (San Lorenzo) e, sobretudo, o 15 de agosto, feriado da Assunção e pico de La Paloma com procissão e chotis. É também o mais concorrido: se queres ambiente sem apertos, vai ao entardecer em dia de semana; se procuras a procissão e o ambiente a transbordar, o 15 ao final da tarde e à noite.

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