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Queima das Fitas de Coimbra

Serenata Monumental de la Queima das Fitas en la escalinata de la Sé Velha de Coimbra, con estudiantes reunidos frente a la fachada principal
Foto: Cidonio Rinaldi / CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons)

Oito dias, no final de maio, em que Coimbra se transforma numa das maiores festas académicas da Europa: fado à meia-noite na Sé Velha, cortejos de quartanistas de capa negra e concertos até de madrugada. Em 2026 decorreu de 22 a 30 de maio, com a cidade cortada ao trânsito num dia inteiro.

O que é e de onde vem

A Queima das Fitas é a festa de fim de curso dos estudantes da Universidade de Coimbra — fundada em 1290 em Lisboa e definitivamente instalada em Coimbra desde 1537 —, considerada uma das maiores festas académicas da Europa. As suas origens remontam ao Centenário da Sebenta de 1899; em 1901 os alunos do quarto ano de Direito organizaram um cortejo com cerca de vinte carros alegóricos, em 1905 realizou-se o Enterro do Grau e a festa tal como a conhecemos hoje consolida-se por volta de 1919. O nome vem de um gesto literal: os estudantes atavam livros e sebentas com uma fita enrolada em cruz, e os quartanistas de Direito começaram a queimar essas fitas no final do curso como libertação simbólica. Cada faculdade tem a sua cor — vermelho Direito, amarelo Medicina, azul-claro Ciências e Tecnologia, azul-escuro Letras, roxo Farmácia —, sem simbolismo oficial: puro sentido de identidade e pertença.

O programa, dia a dia

Em 2026 a festa decorreu de 22 a 30 de maio. Abriu com a Serenata Monumental à meia-noite, na madrugada de 21 para 22 (00h00 do dia 22 de maio), no Largo da Sé Velha: cinco grupos de fado da Secção de Fado da AAC a cantar perante um público que ouve de pé e em silêncio. Atenção a este pormenor que estraga planos: o acesso ao Largo está limitado a 4.000 estudantes com controlo de entrada, por isso, se não fores aluno da UC, a tua opção realista é o ecrã gigante junto à Porta Férrea (portas abertas das 21h00 às 23h00, por ordem de chegada). No dia 24 de maio, a Queima do Grelo às 10h00 no Largo da Sé Nova e, à tarde, o Cortejo dos Quartanistas. No dia 26, o Baile de Gala na P1 do Estádio Universitário. E todas as noites, as Noites do Parque na Praça da Canção. A próxima edição será no final de maio de 2027, com datas ainda por confirmar: consulta o programa oficial da AAC.

O que custa e o que é grátis

Aqui vale a pena ser claro, porque circula a ideia de que é tudo grátis e não é. O recinto da Praça da Canção, onde acontecem as Noites do Parque, é pago: há bilhete geral para todo o ciclo e bilhete diário por noite, à venda na BOL.pt; o bilhete troca-se por uma pulseira que serve de acesso e de carteira nos bares. Os preços mudam todos os anos, por isso confirma-os na BOL.pt ou no site oficial antes de contar com eles. Grátis e em plena rua ficam as melhores imagens: o Cortejo dos Quartanistas, a Queima do Grelo no Largo da Sé Nova, a transmissão da Serenata na Porta Férrea e o ambiente contínuo da Baixa. Se o orçamento for curto, isso já dá festa de sobra; o recinto é o extra, não o prato principal.

Como vivê-la sem sofrer

No dia do Cortejo a cidade paralisa: o trânsito fica cortado aproximadamente desde o meio-dia até à noite em todo o percurso (Pólo I e Rua Larga, Calçada Martim de Freitas, Praça da República, Av. Sá da Bandeira, Baixa e Portagem), com desvios e reforço de linhas dos SMTUC. O percurso muda todos os anos — em 2026 passou pela faixa central do metrobus na Baixa —, por isso consulta o aviso dos SMTUC ou da Câmara Municipal dessa edição. Bons pontos para ver: Praça da República e Av. Sá da Bandeira. Alojamento: os hotéis do centro esgotam, reserva com 4 a 8 semanas de antecedência. Chega de comboio (Alfa Pendular Lisboa–Coimbra-B em cerca de 1h40, Porto em cerca de 1h09, com ligação de 5 minutos até Coimbra-A). E o essencial na prática: leva só o indispensável e o telemóvel num bolso fechado, água e boné para o desfile, ponto de encontro combinado porque a rede satura, e regresso planeado a partir da Praça da Canção (a 25-30 minutos a pé do centro).

Perguntas frequentes

Quando se realiza a Queima das Fitas?
Acontece sempre no final de maio e dura oito dias. Em 2026 foi de 22 a 30 de maio, com a Praça da Canção como recinto principal. A edição de 2027 é esperada também para o final de maio, com datas ainda por confirmar pela AAC e pela Câmara de Coimbra: consulta o programa oficial antes de comprar bilhetes.
Um turista pode entrar na Serenata Monumental?
No Largo da Sé Velha, não: a lotação está limitada a 4.000 estudantes da Universidade de Coimbra, com controlo de acesso, entrada por ordem de chegada e portas abertas das 21h00 às 23h00. Se não fores estudante da UC, a opção realista é acompanhar no ecrã gigante instalado junto à Porta Férrea, com as ruas em redor cortadas.
É preciso pagar bilhete?
Depende do que quiseres ver. O Cortejo dos Quartanistas, a Queima do Grelo e o ambiente da Baixa são gratuitos e ao ar livre. O recinto da Praça da Canção (Noites do Parque) é pago: bilhete geral para todo o ciclo ou bilhete diário, na BOL.pt, trocável por uma pulseira que serve de acesso e de carteira nos bares.
Onde ficar alojado e como chegar?
Reserva com 4 a 8 semanas de antecedência: os hotéis do centro esgotam durante a Queima. De comboio, o Alfa Pendular demora cerca de 1h40 desde Lisboa e 1h09 desde o Porto até Coimbra-B, com ligação de 5 minutos até Coimbra-A — em pleno centro — incluída no bilhete. Horários e tarifas atualizados, em cp.pt.

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